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HIROSHIMA, HÁ 61 ANOS

O mundo parece ter esquecido o uso da bomba atômica contra Hiroshima e Nagasaki, há 61 anos, foi o último ato da II Guerra Mundial ou o primeiro da Guerra Fria? Essa questão está na raiz do debate sobre as razões invocadas para a decisão do então presidente Truman - uma controvérsia reaberta nos EUA, há 11 anos, pela exposição do avião Enola Gay no Museu Aeroespacia. Nada menos que 190 mil inocentes morreram em dois dias.

No projeto original dos curadores da instituição, a réplica da superfortaleza voadora B-29 que lançou a bomba sobre Hiroshima estaria acompanhada das imagens e informações sobre os efeitos causados pela explosão. Ante vigorosa pressão conservadora, o projeto foi drasticamente reduzido, mas a American University, em outra exposição, mostrou tudo o que o Smithsonian omitiu, com vergonha de exibir.

A campanha conservadora contra o projeto questionava o patriotismo dos responsáveis pela exposição, argumentando que, por tornar desnecessária uma sangrenta invasão do Japão, a bomba poupara muitas vidas. Em 1947 Truman fora específico, alegando que salvara 250 mil vidas americanas. Depois passou para meio milhão, mais tarde um milhão e até "milhões". Documentos militares ficam só em 20 a 60 mil.

Em 1965 o professor Gar Alperovitz, com base em vasta documentação, refutou (no livro "Atomic diplomacy: Hiroshima and Potsdam") a tese de que a bomba tinha evitado tais sacrifícios. E 30 anos mais tarde constatavam-se duas realidades críticas: 1. havia um abismo cada vez maior entre o que os historiadores sabiam e o que fora dito ao público; 2. poucas questões controvertidas ainda restavam.

Não se deve confundir - disse ele - o debate da eventual necessidade militar de se usar a bomba (para poupar vidas e apressar o fim da guerra) com a questão do ataque a Pearl Harbor e a brutalidade dos militares japoneses - bombardeio de Shangai, saque de Nanking, prostituição forçada de mulheres coreanas, a marcha da morte de Bataan, torturas e assassinatos de prisioneiros de guerra.

Se há quatro décadas a linha de raciocínio de Alperovitz era às vezes rejeitada como "revisionista" ou "esquerdista", hoje existe - como chegou a escrever J. Samuel Walker, então historiador-chefe da Comissão Regulamentadora Nuclear dos EUA - "o consenso de que a bomba não era necessária para evitar uma invasão do Japão e pôr fim à guerra em prazo relativamente curto".

Para Walker, o exame acadêmico cuidadoso de registros e manuscritos revelados nos últimos anos "aumentou grandemente nossa compreensão sobre as razões da administração Truman para usar as bombas contra o Japão. Especialistas ainda discordam sobre certos pontos, mas questões críticas estão respondidas". Entre elas o fato de que havia alternativas - e que Truman e seus assessores sabiam.

Em artigo para a "Foreign Policy" e num novo livro ("The decision to use the atomic bomb"), Alperovitz referiu-se em 1995 a esse reconhecimento de que já participam - às vezes enfaticamente, mas nem sempre - até historiadores ortodoxos. Robert Messer, da Universidade de Illinois, considerou os novos documentos revelados "devastadores" para a idéia tradicional de que a bomba era a única maneira de evitar uma invasão.

O presidente Franklin Roosevelt morreu a 12 de abril de 45, sem ter informado seu vice Harry Truman sobre o Projeto Manhattan. Só 10 dias depois o secretário da Guerra Henry L. Stimson avisou o novo presidente sobre a bomba, enfatizando o efeito decisivo que teria na política externa. Stimson até se referiu à arma como a grande carta ("master card") dos EUA no jogo diplomático.

Até então o governo americano reclamava garantias do ditador Josef Stalin (recebidas em Potsdam) de que a URSS declararia guerra ao Japão três meses depois da derrota alemã - consumada oficialmente a 8 de maio. Isso porque a superarma ainda não tinha sido testada quando Truman embarcou no encouraçado Augusta, a 8 de julho, para a cúpula de Potsdam.

Os americanos, que tinham decifrado os códigos japoneses, conheciam o teor das mensagens secretas trocadas pelos japoneses, nas quais ficava claro que se Washington concordasse com a permanência no trono do imperador Hirohito (o que iria acontecer após Hiroshima e Nagasaki) não haveria obstáculo à rendição. E que Hirohito já decidira intervir para pôr fim à guerra.

Stimson não acompanhou Truman no Augusta. Embora encarasse a bomba como "master card", defendeu junto ao presidente a idéia - também exposta antes pelo secretário Adjunto da Defesa John McCloy, numa reunião na Casa Branca - de um plano para a rendição japonesa que combinasse a aceitação da permanência do imperador no trono com a ameaça de lançamento da bomba.

Para Stimson, era importante "uma advertência ao Japão cuidadosamente calculada" ANTES de se usar a bomba. Mas o secretário de Estado James Byrnes tinha maior ascendência sobre Truman, de quem fora o mentor no Senado. E era contrário a qualquer tipo de concessão aos japoneses, preferindo chamar a atenção para as atrocidades deles contra prisioneiros de guerra americanos.



Escrito por Roberto Patriota às 00h52
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BUSCH E O ESTADO DE ISRAEL

 

Os jornais americanos parecem perplexos ante as façanhas militares de Israel no Líbano, trazendo informações freqüentemente contraditórias. Como registrou a revista eletrônica "Slate", e o "New York Times" disse que os soldados que cruzaram a fronteira libanesa podem totalizar até 7.000. Um outro jornal de ponta, o "Washingotn Post" estimou o número dos que agora estão no Líbano em mais 18 mil.

 

O mesmo "Post" observou ainda, citando "autoridades militares", que o total das tropas invasoras ainda poderá triplicar de repente. Mas o dado mais significativo dessas novas estripulias israelenses é que apenas a trégua israelense de 72 horas, anunciada pelo governo Bush (e não por Israel), nunca veio. O anúncio tinha sido horas depois do bombardeio de sábado 29/08, que matou 56 civis indefesos, inclusive 37 crianças.

 

Pouco depois dele, o que Israel fez foi desmentir na prática a informação de Bush - o que sugere algum curto-circuito nas comunicações entre a Casa Branca e o governo israelense. O fato é que a invasão do sul do Líbano e a retomada dos bombardeios (só houve, aparentemente, uma pequena pausa nos ataques aéreos, para inglês ver) são um aparente desdobramento natural de projeto bem semelhante ao de 1982-83.

 

O governo Bush atolou-se de tal forma na aliança com Israel que está a ponto de ser obrigado a rever suas teorias sobre terrorismo. Se insistir nas que defendia até as últimas ações extremistas israelenses, corre o risco de ter de denunciar Israel - inclusive por seguir o modelo nazista ao impor castigo coletivo aos civis. Quanto aos efeitos do projeto israelense na política internacional, parecem lógicos a esta altura.

 

Israel conseguiu reabilitar a imagem do Hezbollah entre as facções libanesas que o viam com preocupação e desconfiança. Pela luta contra o superexército do vizinho implacável, o grupo tornou-se - graças aos excessos militares israelenses - o novo herói do Oriente Médio. Mesmo os países árabes mais próximos dos EUA, como Arábia Saudita, Egito e Jordânia, revêem às pressas suas críticas ao Hezbollah.

 

Para Bush, o quadro desastroso deixa em frangalhos sua política externa na região, tão necessitada de aliados. A tendência é a situção agravar-se ainda mais, pois Israel rejeita o cessar-fogo. Diz ter reduzido por apenas 48 horas o ritmo dos bombardeios aéreos - e que eles serão retomados para apoiar as tropas invasoras, que já penetraram mais de 20 quilômetros no território libanês, além do rio Litani.

 

A preocupação do pessoal das Nações Unidas na área aumentou. Um porta-voz informou ter Israel ampliado as exigências para a movimentação dos comboios de socorro às vítimas da insanidade israelense. Um comboio teve permissão para seguir rumo ao sul (área mais próxima da fronteira de Israel e a mais castigada pelos ataques). "Mas eles nos negaram luz verde para outros comboios", disse o porta-voz.

 

A secretária de Estado Condoleezza Rice corre o risco de tornar-se motivo de galhofa antes do final dessa crise. Nada do que diz parece valer. Ela tinha garantido que o cessar-fogo, que Israel nunca aceitou, estava vindo "em dias, não semanas". E ainda insiste nessa ficção. Os europeus - até Tony Bair, o cachorrinho de estimação de Bush - não escondem o desapontamento.

 

Na verdade, todo mundo sabe onde a coisa pega. Em nenhum momento o governo americano realmente distanciou-se de Israel - nem mesmo quando chegou a se dizer favorável ao cessar-fogo, que os israelenses rejeitavam desde o princípio. É que ao falar disso a Casa Branca impunha sempre uma condição, a de que o Hezbollah fosse desarmado e destruído, objetivo final das tropas invasoras. Quem não sabe que a economia americana é dominada pelo capitão judeu, até mesmo no mais remoto recanto da nossa Serra Verde, na região do Mato Grande este fato é do conhecimento popular.

 

Como o premier Tony Blair ainda não ousa dizer abertamente coisas que deixem embaraçado o amigo Bush, cabe de novo à França de Jacques Chirac liderar o esforço em favor de um cessar-fogo que permita liberdade de movimentos para a ONU e o socorro humanitário às vítimas da truculência israelense. Chirac, aliás, vinha sendo encarado por Bush como seu principal aliado no confronto com o Irã.

 

O premier Siniora, apesar de bem visto em Washington, viu-se constrangido a adotar posição bem próxima à do presidente Lahoud. Isso porque, como assinalou o "Post", a guerra criou um clima nacional que não permite falar nada de ruim sobre o Hezbollah. Quem ousa fazê-lo acaba sendo exposto à execração pública como impatriótico e quase um traidor do Líbano.



Escrito por Roberto Patriota às 02h01
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DEZOITO ANOS DE LUTA

 

Em primeiro de janeiro passado a FOLHA DO MATO GRANDE completou 18 anos de circulação a serviço da região e do Rio Grande do Norte, nesta tumultuada primeira década do século XXI. Em todos estes anos a FOLHA influiu sobre várias pessoas que em suas páginas aprenderam a ler, em alguns casos, mas, sobretudo aprenderam a se ver como pessoas inteligentes, de uma comunidade e que no seu conteúdo buscaram a solução dos seus problemas, a realização de seus sonhos e o cultivo de seus valores básicos, fundamentais. Aos poucos solidificou-se, tornando-se ao mesmo tempo, pela forte contribuição cultural, desde os primeiros tempos, num dos símbolos da região do Mato Grande, testemunhando as principais mudanças ocorridas no final da década de oitenta até hoje.

 

Contemporâneo das últimas invenções modernas que hoje facilitam a vida cotidiana, a FOLHA noticiou o aparecimento do celular, da Internet, do Mapeamento Genético, da eleição eletrônica, do Efeito Estufa, da informatização digital, da clonagem humana e de animais, e de tantos outros fatos que transformaram o mundo no final do século XX. Exerceu durante todos esses anos, forte influência política, econômica e cultural. No começo era apenas mais uma tentativa, mas, aos poucos, foi se destacando, se consolidando, até conquistar a grande credibilidade que hoje detêm, assegurando um dos maiores títulos do jornalismo regional.

 

O importante sempre foi não mudar de conteúdo. Dentro desse espírito, a FOLHA sempre buscou atender cada vez maior número de leitores e assinantes para poder honrar o slogan que estampa desde junho de 1995: "O Jornal de Maior Tiragem e Circulação da Região". A cada ano no aniversário da FOLHA, os representantes dos setores mais significativos da sociedade enviam ao jornal suas mensagens pela data, numa forma indiscutível de reconhecimento público e credibilidade assegurada.

 

Aos poucos a FOLHA DO MATO GRANDE foi se tornando órgão por excelência de todos os seguimentos da comunidade, mantendo abertas suas colunas, a todas as correntes de pensamento e suas fileiras a profissionais de todas as procedências. "As portas sempre estiveram abertas ao talento", escreveu o escritor e pesquisador Gustavo Praxedes. Foi esta preocupação pela qualidade e inclinação pela capacitação profissional e pelo estofo cultural que fizeram da FOLHA, ao longo de todos estes anos, um verdadeiro baluarte das transformações sociais da região. Buscando também tecnologicamente correr na frente, a FOLHA foi o primeiro jornal da região a se informatizar e se incorporar ao mundo virtual da tecnologia de ponta produzindo a FOLHA DO MATO GRANDE - On Line, com atualização noticiosa constante para todo o mundo. Tornando-se o primeiro portal noticioso da região na Internet.

 

Sem nunca abandonar a sua vocação, o jornal sempre foi fiel às suas origens, e para tanto, fez, participou, apoiou e combateu movimentos. Posicionou-se sempre em defesa da liberdade, democracia e livre iniciativa dos interesses coletivos da região, que nunca se confundiram com demagogia, charlatanismo e agitações aos direitos e a liberdade.

 

No transcurso de quase duas décadas de existência, a FOLHA DO MATO GRANDE suportou duros embates, enfrentando com coragem e determinação os agentes da desinformação e do retrocesso regional, jamais se submetendo as pressões e imposições, partissem elas de que altura fosse. A FOLHA foi pioneira no jornalismo regional no Mato Grande, tendo servido de modelo para muitos outros jornais e informativos que se espalharam pelo Estado afora.

 

Grandes nomes da cultura do RN escreveram nas páginas da FOLHA, como Celso da Silveira, Nilson Patriota, Cortez Pereira, Olavo de Medeiros Filho, Lenine Pinto, Gumercindo Saraiva, Veríssimo de Melo, Dióico Gontijo, Diógnes da Cunha Lima, Franklin Jorge, Emanuel Neri, Osório Almeida e Valério Mesquita só para citar alguns. A FOLHA, no entanto, promete manter as linhas básicas da fundação elevando o padrão técnico e respeitando à cultura potiguar. É um compromisso e tanto, assumido junto com a responsabilidade de preservar, respeitar e ampliar o acervo histórico e cultural que representa este empreendimento iniciado no já distante janeiro de 1988. Não é pouco.

 

Ao completar dezoito anos de existência reconheço que a sorte foi nossa em ter conseguido reunir uma boa equipe de valores e talentos que nos permitiu manter esta FOLHA em acessão até aqui. E não é que ainda sobrou pique para formar outras valorosas equipes, nas rádios FM Mato Grande e Gostoso FM, e mais recentemente no jornal GAZETA DO AGRESTE e na revista AGRESTE TEEN, com sede na cidade de Nova Cruz/RN.

 

Vamos todos desejar que também no século XXI, a FOLHA DO MATO GRANDE continue sendo o baluarte das aspirações populares, como no inicio, e que seja, "indestrutível como o Rio Grande do Norte", como acentuou o ex-governador Cortez Pereira. Que a boa sorte continue sempre ao nosso lado.



Escrito por Roberto Patriota às 01h11
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TIÃO E A ORDEM PRAIEIRA

 

Se não me falha a memória, foi em setembro de 1996, eu me encontrava no Rio de Janeiro juntamente com Josemar França, então candidato a prefeito de Touros. Mal chegamos em solo carioca e já de pronto fomos regiamente recepcionados pelo querido Sebastião Maria dos Santos, o nosso "Tião". Foi uma supressa, não sei como, mas Tião foi informado da nossa viagem ao Rio, e como de costume, lá estava ele recepcionando como ninguém seus conterrâneos.

 

Depois de toda sua tradicional amabilidade e gentilezas, colocou seu motorista a nossa disposição. Dias depois nos recepcionou com lauto churrasco em restaurante próximo a sua residência, em Jardim América. O que seria um simples almoço se transformou na verdade em uma grande festa de confraternização. Muitas figuras da sua intimidade começaram a chegar, pessoas simples, altos comerciantes e alguns políticos de quem se tornou amigo.

 

Dentro de poucas horas o almoço tinha se transformado numa grande festa. Josemar, como é de praxe, abriu a seção de discursos em saudação ao nosso anfitrião. Muitas pessoas também falaram. Quando chegou a minha vez, me passou um curto filme na mente e me lembrei que desde criança ouvia falar das gentilezas de Tião, atendendo, auxiliando e resolvendo problemas dos seus muitos conterrâneos que foram tentar a sorte no Sudeste do país. Lembrei-me da amizade de Tião com meu pai e familiares, sua gentileza a me ligar constantemente do Rio em busca de notícias da sua terra querida. Chamava-me gentilmente de "caçador de notícias". Não me restou outra alternativa a não ser me dirigir a ele como "Embaixador de Touros no Rio de Janeiro", e assim fiz.

 

Tião não deixou por menos, quando teve a oportunidade de agradecer as muitas palavras proferidas a seu respeito, se dirigiu a mim e cobrou o diploma de Embaixador. Não tive outra alternativa senão fundar juntamente com amigos, a Ordem Praieira do Rio Grande do Norte, e meses depois, em janeiro de 1997, entregar a Tião, o seu justo Diploma de Embaixador de Touros no Rio de Janeiro, em solenidade de grandes proporções realizada em Touros. E assim nasceu a Ordem Praieira.



Escrito por Roberto Patriota às 01h03
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