A CAMPANHA NA TV
Terça-feira passada começou a campanha eleitoral na televisão e no rádio, não só em Touros/RN, aonde me encontrava, mas em todo o país. E por falar em campanha eleitoral e sucessão presidencial, a única dúvida que permanece hoje é se o presidente Lula vence direto no primeiro turno ou haverá necessidade de um segundo confronto levando o atual presidente e um adversário ou adversária ao desfecho final no último domingo de outubro. No momento em que escrevo, as pesquisas do Datafolha e do Ibope, vejo aqui no site da Folha de S. Paulo, apontam 47 pontos para Lula, 21 para Geraldo Alckmin, 12 para Heloísa Helena. Dezoito por cento, nas duas pesquisas, disseram-se indecisos e dispostos, hoje, a anular o voto. Cristovam Buarque aparece com 1 ponto: não decola. O presidente da República e a brilhante senadora por Alagoas avançaram de uma semana para outra. O ex-governador de São Paulo recuou. O debate na noite de segunda-feira, na Rede Bandeirantes, não contribuiu para alterar o panorama quanto à colocação, embora Heloísa Helena, que recebeu o apoio explícito de Buarque, possa ter conseguido mais uns dois ou três degraus para cima. O que significa isso? Significa que a hipótese de haver segundo turno depende da seqüência que Heloísa Helena conseguir imprimir à campanha, apesar de seu pequeno espaço no horário eleitoral gratuito. Depende sobretudo da capacidade que tiver de reduzir a faixa dos indecisos e dos que no momento se dispõem a anular o seu voto. Não é provável que Alckmin possa influir para alterar o rumo do pleito, como li em artigo, falta-lhe entusiasmo. Tanto assim que, nos últimos dias, em vez de avançar, recuou. Isso de um lado. De outro, se Heloísa Helena continuar subindo, apenas por isso não conduzirá ao segundo turno. Ela está captando votos que seriam do ex-governador paulista se este fosse mais afirmativo. Neste caso, uma parcela substitui a outra. Para que haja segundo turno, é preciso que ela progrida reduzindo o voto nulo e a faixa de indecisos. Tem condições de fazê-lo, não é inclusive impossível - embora difícil - que ultrapasse Alckmin. Afinal de contas, quem está indeciso ou propenso a votar nulo é porque deseja protestar. E o voto em Heloísa Helena exprime exatamente a idéia de protesto. Ninguém melhor do que ela representa o sentimento popular de revolta contra os escândalos protagonizados por José Dirceu, Roberto Jeferson, Delúbio Soares, Marcos Valério, Duda Mendonça e Sílvio Pereira. São apenas estes? Não. E os que mergulharam no pântano moral das ambulâncias da Planam, entre eles o senador Nei Suassuna, que foi ministro do governo FHC? Heloísa Helena é também vítima de injustiça: vejam só, foi expulsa do PT porque votou contra o desconto de 11 por cento nos vencimentos dos funcionários públicos aposentados. Um absurdo. Estava na posição absolutamente correta e foi punida por iniciativa de um homem comprometido como José Dirceu. O governo Lula taxou os inativos, obrigando-os a pagar novamente pela aposentadoria que já haviam conquistado ao longo de 35 anos de contribuição. Enquanto os inativos são atingidos por um autêntico confisco, Duda Mendonça ecebe milhões de dólares em depósitos no exterior para não pagar Imposto de Renda. Mas esta é outra questão. Voltando ao caso do voto para presidente, em matéria de conduzir as eleições para um segundo turno, essa perspectiva depende de Heloísa Helena. Ela pode não vencer a disputa, claro, mas com sua disposição de luta e seu inconformismo estará dando uma aula de dignidade ao País. Sua revolta é uma utopia? Pode ser. Mas o que seria dos países não fossem os utópicos? Que seria do Brasil se ninguém, efetivamente, protestasse contra a injustiça e a corrupção? Sua candidatura exprime o sentimento ético de que a administração pública não é propriedade de maus políticos, de aproveitadores, mas sim um patrimônio coletivo. Enquanto predominar a primeira visão, hipócrita e corrupta, o Brasilviverá mergulhado na falta de recursos para qualquer coisa, a começar pela Saúde, pela Educação, pela Segurança Pública. Assim, enquanto o segundo turno nacional depende de Heloísa Helena, o segundo turno estadual está condicionado ao desempenho de Garibaldi Filho. Ele segue na frente. O rumo das eleições, portanto, depende de uma mulher. A governadora Wilma pode influir decisivamente na disposição do eleitorado, na medida em que conduza firmemente a ética e a moral para o caminho das urnas. A campanha começou na televisão. Nada melhor para sintetizar sua importância do que o belo verso de Chico Buarque: olhos nos olhos. Esta visão desmascara os farsantes e os que desejam iludir a opinião pública, como sempre fazem. Depois de outubro, eles não mais atendem telefone.
Escrito por Roberto Patriota às 12h34
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A CHINA E OS EUA
Virou moda, de uns tempos para cá, divulgar e exaltar a China, mesmo que de forma meio capenga, por conta da abertura econômica responsável pela melhoria de vida de um total de 1 bilhão e 300 milhões de habitantes. Seria bom que as nossas feras do capitalismo selvagem atentassem para o conjunto dos fatos registrados naquele país, algo bem acima do neoliberalismo parcial verificado do outro lado do planeta.
O que aconteceria com o animal que assassinou um singelo turista português? Já estaria julgado, condenado e executado com um tiro na nuca, obrigando sua família a pagar a bala. Da mesma forma, onde estaria um repórter da televisão chinesa, caso seqüestrado, com a exigência da divulgação de um vídeo dos criminosos? Pode ser que em liberdade. Quem sabe ainda em poder dos bandidos. Talvez até executado. Mas jamais a televisão teria transmitido a mensagem do PCC, porque a China não negocia com terroristas.
Por ironia, nem a China nem os Estados Unidos, onde o braço do poder público é tão ou mais pesado. O julgamento do assassino da praia demoraria um pouco mais, ainda que o resultado fosse o mesmo: morte por injeção letal. Não devem ser emitidos juízos de valor sobre a forma de atuação das instituições americana e chinesa. Cada povo estabelece suas próprias leis.
A pena capital inexiste entre nós, é muito bom que seja assim, mas não dá para aceitar que dentro de poucos anos seja posto em liberdade o responsável pelo assassinato do turista português. Prisão perpétua em isolamento completo seria o mínimo. Quanto à iniciativa da Rede Globo de divulgar a mensagem exigida pelos seqüestradores, é digna de louvor, pois se tratava de salvar uma vida. Mesmo assim, como admitir que o crime organizado chegasse a tanto? Deveria ter sido massacrado faz muito, até para evitar a repetição do episódio. Apesar de nossa cultura amena e da tolerância de nossas instituições, uma coisa é certa: China e Estados Unidos, de quando em quando, nos fazem inveja, fazem sim.
Escrito por Roberto Patriota às 01h53
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