A ESPERADA VISITA DE LULA
Até que enfim. Depois de tantos rumores e expectativas, o presidente Lula vem mesmo ao Rio Grande do Norte no dia 16 de setembro para realizar dois grandes comícios, um em Natal e outro em Mossoró. A informação foi divulgada na noite desta terça-feira (29) pela governadora Wilma de Faria durante comício realizado no município de Extremoz. Segundo a candidata da coligação Vitória do Povo, Lula reforçou a parceria com o seu governo e reiterou compromisso em prol da reeleição da governadora e do senador Fernando Bezerra. Essa é a tão sonhada visita estratégica que visa mudar os números das pesquisas. Será que o hoje todo poderoso presidente Lula vai conseguir virar o jogo político do RN, com uma simples visita, um exaltado apelo as massas do "bolsa família", que hoje veneram o ex-metalúrgico do ABC? É o que muitos se perguntam e vários até chegam a apostar. Você também apostaria? Estaria o presidente com a bola tão cheia assim? Questiona-se muito. Seja como for, se a visita presidencial não conseguir o tão acalentado "efeito borboleta" em prol da campanha da governadora Wilma de Faria, muito pouco poderá ser feito para alterar o atual quadro eleitoral no Rio Grande do Norte.
OS NOVOS NÚMEROS
O matutino JH Primeira Edição publicou os novos números do Instituto Perfil em primeira mão nestá terça-feira 29/08. O senador Garibaldi Filho, deve ser eleito no primeiro turno com 42,59% da preferência do eleitorado potiguar, contra 34,18% da governadora Wilma de Faria, segundo os números do intituto. Tanto o IBOPE, como o Perfil dão como certa a vitória do senador Garibaldi Filho. Há trinta dias das eleições, pouco ou muito pode ser feito para alterar este quadro. Ou seja, tudo pode acontecer num país chamado Brasil, resta aguardar e observar com intensa atenção.
Governo:
Garibaldi Filho – 42,59%
Wilma de Faria – 34,18%
Senado:
Rosalba Ciarlini – 26,29%
Fernando Bezerra – 23,94%
Geraldo Melo – 17,1%
Dep. Federal:
Henrique Alves - 5,41%
João Maia - 5,35%
Fabio Faria - 4,82%
Fátima Bezerra - 2,12%
Betinho Rosado - 1,94%
Nélio Dias - 1,59%
Felipe Maia - 1,59%
Rogério Marinho - 1,53%
Sandra Rosado – 1,18%
Bispo Francisco – 0,79%
Escrito por Roberto Patriota às 14h11
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OS OMISSOS CONSCIENTES
A pesquisa do DataFolha sobre a disposição do brasileiro para as eleições traz um dado preocupante: se o voto fosse facultativo, 49% ignorariam o compromisso. Ainda que aqueles que compareceriam às zonas eleitorais tenham sido medidos em 48%, tais resultados mostram que uma vasta parcela da população ainda não se deu conta da importância da sua escolha. Nem se diga que os desinteressados estão nas classes D e E. São maioria, mas é de chamar a atenção que há uma porcentagem grande de pessoas - sobretudo jovens - dos segmentos A, B e C que não se deram conta do que é cidadania. Isso pode ser observado na região do Mato Grande, Oeste, Central, Agreste ou qualquer outra região do Rio Grande do Norte ou do Brasil.
São os omissos conscientes. Ou seja: para eles, político é, por definição, ladrão. São estimulados pelos próprios pais, em geral conservadores e igualmente alheios ao processo social. Seguem em geral aquilo que é melhor para os interesses financeiros ou comerciais da família. Muitos, inclusive, adotam a candidatura de alguém por osmose: o sujeito é amigo do pai, se candidata a deputado federal, diz que vai garantir um emprego de assessor parlamentar para o filhão e isto é algo suficiente para colocar no pára-brisa do carro a propaganda da futura entidade mantenedora. E nem se dá conta de que acha que político é ladrão por natureza.
São essas contradições que um dia Bertold Brecht classificou de ignorância política. Acha o compromisso do voto um pé no saco. Não tem nenhum interesse em saber quem é seu candidato a presidente, a senador, a deputado federal, a governador, a deputado estadual. Ou melhor: sabe apenas o número do federal, assim mesmo porque fez propaganda em troca daquele emprego de boa vida. O restante que se dane. E se diverte com isso.
Por isso é que bato palmas para a iniciativa dos Tribunais Regionais Eleitorais. Impede que o político cínico, aquele que assume publicamente sua condição de desonesto ao se candidatar apesar da folha corrida, se sirva exatamente de vácuo de desinteresse. Naturalmente que o voto de cabresto, que ainda existe em larga escala no interior, é uma lástima, mas quem vende sua escolha em troca de uma cesta básica ainda pode ser perdoado devido à pobreza e ao abandono.
São mais vítimas do que culpados. Duro é o sujeito que tem acesso à propaganda de rádio e TV que se deixa encantar pelo discurso sem sentido e mirabolante. Ou então voltado para um nicho que compõe uma parcela menor da sociedade - como seu clube de futebol, colegas de culinária e semelhantes.
A pesquisa do DataFolha traça um quadro incômodo, sobretudo porque o mau parlamentar seria o maior beneficiado pela não obrigatoridade do voto. A contaminação do quadro político tenderia a se refletir sobre os 48% que iriam às urnas. Como é maior a possibilidade de o Legislativo piorar do que melhorar devido ao fato de o eleitor decidir se participa ou não do pleito, a proporção de eleitores que votariam diminuiria a cada dois anos.
Por isso é que defendo o voto obrigatório. Até pela maturidade que dá ao processo. Ou pela falta dela da parte de uma parcela do eleitorado nacional. É o nosso Brasil varonil, dos Macunaímas, Anões do Orçamento, sangsugas e mensalões e tantas outras pragas nacionais que infestam a nação. Que Deus tenha piedade do nosso povo.
Escrito por Roberto Patriota às 00h05
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ANALISANDO O CENÁRIO
As pesquisas de opinião pública têm deixando muita gente se questionando, não só no Rio Grande do Norte, aonde a campanha esquentou bastante nas últimas semanas, mas em todo o país. Um bom exemplo desse quadro foi revelado pela pesquisa do Datafolha publicada na imprensa quarta-feira passada, apontou para o caráter irreversível da vitória de Lula que, assim, garante com antecedência que vai continuar no Planalto por mais quatro anos. No espaço de uma semana ele avançou dois pontos contra um de Alckmin, enquanto Heloísa Helena recuou um por cento. Lula seguiu, portanto, seu ritmo de ascensão, com uma velocidade igual ao dobro do crescimento de Alckmin. Os números mostram também que a competente senadora por alagoana perdeu o pique, interrompendo sua escalada. Não acredito em segundo turno.
Não apenas pelos percentuais dos três candidatos, mas, sobretudo porque já começou a cair o número de indecisos e dos que pretendem anular o voto. Há sete dias eram 18 por cento. Agora, estão numa faixa entre 11 e 12 pontos. Esta posição vai descer para 7 ou 6 por cento na reta de chegada, como sempre acontece. Se os indecisos tivessem sido arrebatados por Heloísa Helena, já que ela sintetiza o voto de protesto, essa tendência poderia adiar o desfecho final para o último domingo de outubro. Mas não aconteceu isso. Os indecisos começaram a passar mais para Lula. Não adianta brigar com os números e com os fatos.
Outro aspecto que pesa muito em favor de Luís Inácio da Silva, revelado pelo Datafolha, é que 46 por cento da população assistem ao horário eleitoral. E se, com tal audiência, ele continuou subindo é porque sua aceitação pela opinião pública está consolidada em matéria de intenção de voto.
Além disso, é essencial acrescentar-se um detalhe: 46 por cento da população significam mais de 60 por cento do eleitorado, já que a população infantil não vota e tampouco assiste a propaganda eleitoral na televisão. Algum cientista político havia pensado nisso? Simples não? Paralelamente ao avanço de Lula aumentou a avaliação positiva do governo e diminuiu a taxa de rejeição ao atual presidente-candidato.
Há uma semana era de 29 por cento. No momento passou a 26 por cento. A rejeição a Geraldo Alckmin é de 24 pontos. Muito próxima à de Lula. Está reeleito. Pelo Datafolha, atingiu 49 por cento. Teve 47 pontos no primeiro turno de 2002. O fenômeno político nacional importante, agora, é que ele, Lula, sobe, enquanto as candidaturas do PT, exceto a de Eduardo Suplicy em São Paulo, descem, é preciso observar esse quadro com atenção, Basta comparar o nível percentual em que se encontram diversos candidatos a governador do Partido dos Trabalhadores com o registrado por Luís Inácio da Silva
O conselheiro do TCE, Humberto Braga, publicou um artigo muito bom sobre política e ética semana passada, li aqui na net. Citou Maquiavel com propriedade, no alto nível intelectual em que coloca e atualiza os temas, e chamou a atenção para o fato de que, essencialmente, a política é a luta pelo poder. A moralidade - disse o conselheiro - não constitui ponto de chegada e sim ponto de partida. Não é finalidade e sim fundamento. Por isso - acrescentou o mesmo: não pode ser bandeira partidária, como fazia Carlos Lacerda, por exemplo, uma figura política extraordinária. Trata-se de condição básica, que deve ser seguida por todos.
A afirmação do conselheiro Humberto Braga, analisando bem seu conteúdo e sua direção, lembra a realidade da vida política brasileira aonde o candidato ideal não existe. E vemos que hoje, essa realidade é mais forte do que se imaginava ontem.
Escrito por Roberto Patriota às 01h26
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