O SEGUNDO TURNO
O panorama visto entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais torna impossível, hoje, qualquer análise numérica em relação ao confronto final entre Lula e Geraldo Alckmim. No momento, antes dos debates, qualquer previsão será impressionista e vai impressionar pouco o raciocínio em torno da futura direção dos votos.
Para início de conversa, vale a pena acentuar que o presidente da República venceu em dezesseis estados e o ex-governador paulista em onze. Entretanto, Alckmim levou a melhor em São Paulo, maior colégio, e reduziu a margem de derrota em Minas Gerais, encurtando-a para dez pontos. Antes dos últimos degraus da campanha, a diferença era bem maior. Estreitou-se, portanto. O candidato da aliança PSDB-PFL-PPS venceu no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, além de Brasília. Luís Inácio da Silva esteve firme na Bahia, Pernambuco e no Rio de Janeiro.
Como em várias unidades haverá segundo turno também para os governos estaduais, a luta na etapa final ficará igualmente condicionada ao estabelecimento de alianças regionais firmadas pelos dois candidatos ao Palácio do Planalto. O Rio de Janeiro pode servir de exemplo da sensibilidade que naturalmente envolverá as articulações
Claro. Pois se a coligação ao lado de Frossard vai à luta com Alckmim, e este é do PSDB, o partido não pode deixar de apoiá-la. Além disso, o segundo turno, no RJ, possui importância vital para a oposição a Luís Inácio da Silva. O presidente da República também não pode descuidar da base carioca e fluminense, que representa a fração de 11 por cento do eleitorado brasileiro, terceiro colégio do País.
Em função das articulações que inevitavelmente terão que se desenvolver, o campo de manobra de Sérgio Cabral é menor que o de Denise Frossard. Uma aliança sua com Lula poderá precipitar um desentendimento com o ex-governador Anthony Garotinho, que, no início da semana, revelou sua preferência em favor do ex-governador de São Paulo. O que Sérgio poderá fazer para se livrar de tal dificuldade?
Fica a pergunta. E ele, provavelmente, a responderá ao longo da campanha que vai se desenrolar e que, ao que tudo indica, será empolgante. Afinal, além de Sérgio e Denise, nas eleições estaduais Garotinho e César Maia jogam seus destinos políticos. Quem perder cairá no distanciamento da opinião pública. E só poderá ressurgir daqui a quatro anos. Em quatro anos acontece muita coisa.
A eleição para o Palácio Piratini reveste-se de acentuada importância para o plano presidencial. As disputas em Santa Catarina e Paraná podem não influir muito no rumo da luta entre Luís Inácio da Silva e Geraldo Alckmim. Mas o que acontecer em São Paulo pode ser decisivo para a eleição do novo presidente ou para a reeleição do atual morador do Alvorada.
Afinal, São Paulo reúne 22 por cento dos votos do País. No primeiro turno, Alckmim venceu Lula por 55 a 36. Se esta margem se ampliar, eis aí um complicador para o presidente eleito em 2002. Porém, ao lado de São Paulo e do Rio de Janeiro, o eixo da decisão final, a meu ver, desloca-se para Minas Gerais. No primeiro turno, nas alterosas, como diziam os locutores esportivos de antigamente, Lula alcançou 50 por cento dos votos contra 40 pontos de Alckmim.
Mas os tucanos e pefelistas ficaram naturalmente entusiasmados com a vitória de Aécio Neves e também com a derrota de Newton Cardoso para Eliseu Resende na disputa pelo Senado. Itamar Franco, o grande injustiçado do primeiro turno - como lembra o deputado federal eleito pelo PV, José Fernando Aparecido de Oliveira -, vai decidir o que fará no segundo confronto.
Sempre enigmático e até imprevisível, Itamar pode desempenhar um papel de importância decisiva no 2º turno em Minas Gerais. E como a disputa em MG reflete-se de maneira intensa no plano político nacional, pode se encontrar na terra de Juscelino Kubitschek a chave que abrirá a porta do poder em 2007.
Seja como for, a disputa será difícil para os dois candidatos. Não vencendo no primeiro turno, dificuldades se colocam para Luís Inácio Lula da Silva no segundo. Obstáculos no caminho também para Geraldo Alckmim. Mas este ficou embalado, pois de uma eleição perdida renasceu para uma hipótese de vitória. Não muito provável, porém possível. O tempo dirá.
Escrito por Roberto Patriota às 11h51
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