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TOUROS NA ROTA DA VIOLÊNCIA

 

O acirramento dos ânimos na atual disputa eleitoral resultou no caso mais grave desta campanha. O ex-prefeito da cidade, Josemar França, aliado do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB), foi agredido com um facão por um adversário político. Ele acusa o comerciante Cláudio Farias, cunhado do prefeito Heriberto de Oliveira, ambos correligionários da governadora Wilma de Faria (PSB). A violência aconteceu na manhã do último dia 24/10.

 

O episódio ocorreu pouco antes das 10h da manhã, na avenida Prefeito José Américo. Josemar França saía da feira do município, onde tinha ido conversar com a população e pedir votos para seu candidato. Cláudio Farias teria estacionado uma caminhonete e descido para tomar satisfações a respeito do comício realizado na noite anterior no qual o ex-prefeito o teria chamado de “ladrão”. A vítima negou, afirmando ter dito apenas que o “atual prefeito e seus cunhados estariam dilapidando o patrimônio público”.

 

Em meio à discussão verbal que se seguiu, Cláudio Farias teria retornado ao veículo, uma caminhonete L200, e tirado o facão, partido para cima do adversário. Josemar afirma que foram várias tentativas de acerta-lo, mas apenas uma de fato o atingiu. O objetivo do golpe seria ferir o pescoço do ex-prefeito, que tentou se proteger com as mãos, sofrendo um corte de mais de 6 centímetros no antebraço esquerdo.

 

A vítima nega ter revidado. Enquanto Cláudio Farias foi embora do local, Josemar França foi levado, “sangrando bastante”, ao hospital Ministro Paulo de Almeida Machado. O paciente deu entrada às 10h05 e foi atendido pelo clínico geral José Alves de Medeiros. “Ele chegou consciente. Fizemos o atendimento e tratamos o corte. Depois de um período de observação, nós o liberamos”, explicou o médico. Por volta de 13h, o ex-prefeito já se encontrava em sua residência.

 

“Nunca se ouviu falar nisso aqui em Touros. Fui prefeito três vezes e sempre expressei minhas críticas e aceitei as que foram feitas. Agora, esse grupo político está agindo assim, de forma brutal”, lamentou Josemar França. Ele atribui a agressão às críticas que fez ao atual prefeito e seus cunhados, no comício da segunda-feira, porém a intenção de prejudica-lo seria ainda mais antiga.

 

De acordo com Josemar França, seus aliados nunca tentaram provocar ninguém. “Mas dessa vez Cláudio que esteve no comício foi quem provocou. Ele vai a vários, fica tentando provocar, grava tudo. Eu não vou ao comício dos outros, evito estar presente, até porque sou uma pessoa pacata”, afirmou. Na mobilização de anteontem, o ex-prefeito acusou Heriberto de Oliveira de beneficiar a Farias Madeireiras, empresa dos seus cunhados, denúncia da qual não pretende voltar atrás. “Vou pedir ao Ministério Público que apure o que está acontecendo aqui na cidade”, ressaltou.

 

Josemar diz temer pela sua família e pela população de Touros, mas torce pelo apaziguamento dos ânimos. “Vou a Natal checar minha saúde, já que sofro de diabetes, mas quero continuar na campanha. Espero que esses acontecimentos não se repitam, a nossa cidade não merece isso”, salientou.



Escrito por Roberto Patriota às 13h51
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O EFEITO PÓS-ELEITORAL

 

É até natural que candidatos e partidos em campanha tentem pintar os adversários com as piores cores. É normal também que se empenhem em embaraçar os movimentos do inimigo. Porém, há na atual cruzada eleitoral algo que foge aos padrões. Arma-se um clima de fim do mundo para depois da disputa presidencial.

 

Envenenou-se demais a atmosfera. Um lado, o de Alckmin, afirma que um novo governo petista acabaria antes mesmo de começar. O outro lado, o de Lula, confunde o noticiário legítimo sobre corrupção e perversões com uma aliança imaginária da mídia com setores da “direita”, para prejudicar o “pai dos pobres”.

 

PT e PSDB, as duas legendas que enxergam no horizonte a perspectiva de poder, precisam levar a mão à consciência. O discurso aguerrido, próprio de toda campanha, está a um passo de ultrapassar a fronteira que leva à retórica insana. O país não merece que os dois frutos mais viçosos que sua democracia foi capaz de cultivar entreguem-se agora a um flerte irresponsável com a ruptura institucional.

 

Aliados no combate à ditadura, petistas e tucanos não têm –ou não deveriam ter— o perfil de uma gente que o marechal Castello Branco, há mais de 40 anos, chamava de "vivandeiras alvoroçadas”. Gente que ia "aos bivaques bulir com os granadeiros e provocar extravagâncias do poder militar".

 

Mas as últimas semanas demonstram que o Brasil, embora já não tenha mais militares dispostos a extravagâncias, ainda não se livrou dos acessos de histeria política. Foram-se as aventuras fardadas, mas remanesce a idéia de “derrubar”, de “inviabilizar” governos legitimamente eleitos.

 

Considere-se, por mais provável, a hipótese de vitória de Lula. Foi escolhido em 2002 por 52 milhões de brasileiros. Prometera uma prosperidade de 10 milhões de empregos e uma moralidade de mosteiro. Noves fora os êxitos de uma administração por avaliar, entregou a estagnação do PIB e a corrupção.

 

A despeito disso, um número ainda maior de eleitores parece disposto a confiar-lhe um novo mandato. O que fazer? Respeitar a vontade popular. Permitir que Lula governe. Exatamente como aconteceu em 98, quando FHC foi reeleito. O “príncipe” conduzira um governo que também não foi nem imaculado nem próspero. Lula cansou de avisar que o dólar a R$ 1,20 era piada, que resultaria em recessão e desemprego. O eleitor não lhe deu ouvidos.

 

Agora, Alckmin e seus aliados estão roucos de avisar: a perversão que assola o governo e o PT não é culpa nem de José Dirceu nem de Delúbio Soares nem de Ricardo Berzoini. O culpado é Lula. Tendo se acercado da turma dos 40 e da súcia de aloprados, o presidente não teve pulso para limpar a área no primeiro desastre. Confraternizou com malfeitores, estimulando a reiteração dos malfeitos.

 

O eleitor está na bica de engolir a tese do “não sabia”. Paciência. É do jogo. O PSDB tem em seus quadros dois dos mais vistosos presidenciáveis de 2010: Serra e Aécio. Se insistir em jogar lenha na fogueira da histeria pós-eleitoral, o tucanato compromete o próprio futuro. Aviva um fogo que amanhã pode queimar os seus. Há denúncias apresentadas e investigações em curso. O STF e o TSE acompanham tudo. Para encrencas assim, não há melhor remédio do que o bom funcionamento das instituições. Deixe-se que as leis funcionem. 



Escrito por Roberto Patriota às 09h06
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