ROBERTO PATRIOTA.NET


O PAÍS DO FAZ DE CONTA

(Republicado a pedidos)

 

Nos anos oitenta, precisamente em 1983, esteve de visita ao Brasil a então secretária do FMI, Ana María Jul , chegou em período carnavalesco. Entre um compromisso e outro sobrou tempo para assistir aos desfiles das escolas de samba no Rio. Ficou confusa e maravilhada com o que viu. Ao final, indagada por um repórter sobre o que estava achando do nosso país, saiu-se com essa: "É o país do faz de conta, nada aqui é real". Na entrevista concedida ao "Jornal Nacional", o presidente Lula lembrou em muito essa alegoria de país irreal imaginado pela então secretária do FMI". Se esquivou o mais que pôde ao falar dos companheiros flagrados com a boca na botija do mensalão, que como bem lembrou o apresentador William Bonner formaram uma "verdadeira quadrilha", conforme palavras do procurador geral da República Antonio Fernando de Souza. O presidente fez aquilo que só lhe é possível fazer para confessar parte do erro: que todos os acusados foram afastados e que o Ministério Público, assim com a Polícia Federal, jamais trabalhou tanto e com tanta isenção em seu governo.

 

Desta afirmativa, apenas a segunda parte é verdadeira. No que se refere aos seus ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci, relutou o mais que pôde e só os demitiu quando teve duas certezas: se não os tirasse, o seu desgaste aumentaria bastante; já no caso do ex-ministro todo poderoso da Fazenda, foi assim que percebeu que a comunidade internacional notara que a política econômica não mudaria, pois pertencia ao governo, não a Palocci.

 

Em relação ao restante da quadrilha, Lula continua sem dar uma resposta convincente. Sobre quem o teria traído, o nome permanece um dos mais bem guardados segredos da República. A respeito de sua conexão com envolvidos, não reconhece e continua negando absurdamente, o que torna os seus comparsas figuras misteriosamente desprendidas, capaz de tirar do próprio bolso quase R$ 30 mil para resgatar uma promissória cujo signatário não tem a menor idéia do que seja.

 

Lula continua certo de que confiar nas pessoas faz bem à alma e ao coração. Tanto que não se arrependeu de ter se cercado de figuras contra as quais hoje pesam gravíssimas acusações. Pelo visto, num eventual segundo mandato, manterá seu processo de escolha, por pior que se revele depois. Lula é um amigo desses que se pode contar a todo momento: permite que o traiam, que o prejudiquem, que dêem munição para uma oposição ávida em torpedeá-lo, para, quando os erros são trazidos à tona, aí sim tomar as devidas providências e afastar os infratores. Desprendimento igual se conhece apenas o de Jesus Cristo, que permitiu a Judas Iscariotes participar da última ceia e reconhecer em voz alta: "Um de vós me trairá".

 

Se antes, nos tempos de oposição, Lula pedia punições aos borbotões (e foi lembrado disto por Bonner, que ainda ouviu uma resposta atravessada) e falava de segurança como a coisa mais simples do mundo, agora o discurso está geograficamente mudado e ensaiado. Disse a quilometragem da fronteira seca e da costa brasileira e alegou que nem se a PF tivesse milhares de agentes a vigiá-las seria possível acabar com o tráfico de drogas e armas, praticamente concordando com o chefe do PCC, Marcola, não existe solução para o problema da violência no Brasil. Em miúdos: é uma questão de dimensão, não de esforço para conter o flagelo. Também, quem mandou o Brasil ser gigantesco? Se fosse do tamanho da Bélgica, seria mais tranqüilo.

 

No mesmo dia, a pesquisa do Ibope dava a reeleição do presidente no primeiro turno, com queda de seu principal adversário, Geraldo Alckmin. Que o cidadão rechaça a volta de pefelistas e tucanos ao comando do País. Mas que também não tem conseguido enxergar que pouco ou nada vai se alterar num segundo mandato de Lula, esta é também uma realidade nua, feia e crua. Ou seja, para Lula tudo vai bem, ele nada sabe, nada viu, e nada vai alterar num segundo mandato. Também pudera, vive no país do faz de conta.



Escrito por Roberto Patriota às 09h26
[ ] [ envie esta mensagem ]


OS DINOSSAUROS E A IMPRENSA PÓS-MODERNA

 

Que a imprensa americana está em baixa e procura um novo modelo de negócios não é novidade, mas quando o editorial do New York Times anuncia um prejuízo trimestral de US$ 648 milhões é hora de levar o assunto a sério. Os números publicados esta semana não refletem exatamente a má situação do tradicional jornal nova-iorquino, mas sim de dois outros títulos adquiridos pelo grupo, o Boston Globe e o Worchester Telegram & Gazette, cujos valores cairam 60%. A queda nos ativos forçaram a empresa que edita o Times a assumir uma perda extraordinária de US$ 814,4 milhões. A notícia foi recebida como uma autêntica tragédia no Globe, que lembra hoje com nostalgia os momentos de glória que conquistaram seis prêmios Pulitzer (o Oscar do jornalismo) em 11 anos.

 

A culpa, como todos sabem, é da incapacidade dos jornais para ganhar dinheiro com a internet e reverter à queda nas receitas publicitárias de suas edições impressas. O cenário pressiona as empresas, que acabam cortando grande parte de suas equipes. Essa queda livre retrata, segundo Scott Bosley, diretor-executivo da Sociedade Americana de Editores de Jornais, a dolorosa transição atravessada pela imprensa tradicional tanto nos Estados Unidos quanto no resto do mundo.

 

Bosley reconhece que a tendência começou há um bom tempo, mas aponta como novidade "a velocidade" dos avanços recentes da Internet que oferecem alta tecnologia com som e imagem em banda larga, além da atualização constante das noticias. A Associação de Jornais dos Estados Unidos lançará em julho uma campanha publicitária de US$ 75 milhões para declarar sua relevância na era da internet. O objetivo é dizer aos anunciantes que o setor não está obsoleto.

 

No entanto, além do Times, outros grupos editoriais, como o McClatchy, também têm visto uma queda no valor de seus jornais. A empresa anunciou em dezembro que venderá seu principal título, o Star Tribune de Minneapolis, por US$ 530 milhões, a metade do que pagou na sua compra. Outros dados, como os cortes de pessoal na imprensa que aumentaram 88% em 2006, também são reveladores. O número, revelado na semana passada pela empresa de consultoria Challenger Gray & Christmas, reflete os 17.809 postos de trabalho perdidos em 2006, quase o dobro dos 9.453 de 2005.

 

A mudança radical na forma como as pessoas obtêm e lêem as notícias, procuram empregos, automóveis usados e produtos de consumo foram as principais causas. O público jovem não compra mais jornais. A Internet tem tudo. Segundo John Challenger, conselheiro delegado da firma, acredita que os ajustes continuarão enquanto durar a transição do mundo impresso para o eletrônico.

 

Até os jornais descobrirem uma fórmula para ganhar tanto dinheiro com suas edições digitais quanto perderam com as impressas, vai ser uma batalha sem garantias, acredita James O´Shea, diretor do Los Angeles Times, um dos jornais de maior tiragem do país, que parece ter achado a resposta. Ele anunciou há poucos dias que fundirá as redações das edições impressa e digital.

 

O executivo pediu a seus repórteres que passem a ver a edição digital do Los Angeles Times como o principal veículo da empresa e comunicou que todos terão que participar de um curso obrigatório, "Internet 101", para aprender a produzir conteúdo para a web. Além disso, o jornal ganhou um "editor de inovação", responsável por "nada menos que fazer a redação trabalhar 24 horas por dia, publicando material exclusivo o tempo todo por meio da internet, segundo  declarou o editor David Hiller. Quem sabe é a luz no fim do túnel.



Escrito por Roberto Patriota às 18h22
[ ] [ envie esta mensagem ]


UM NOVO JORNALISMO NO AR

 

Uma nova classe de jornalismo se fortalece nesta primeira década de milênio. É com ela que o futuro profissional deve estar sintonizado e, conseqüentemente, preparado. Segundo brilhante palestra do Prof. André Manta da Universidade Federal da Bahia, em palestra realizada em Natal: “o desenvolvimento ultra-rápido das tecnologias de comunicação, a expansão das redes de informação e a criação de interfaces amigáveis, que utilizam recursos de multimídia e hipertexto, estão acelerando o processo de digitalização das mídias tradicionais. Hoje, os mais importantes jornais e revistas do mercado editorial mundial estão na Internet”.

 

De qualquer forma o jornal eletrônico se constitui num imenso banco de dados, capaz de armazenar um número ilimitado de informações. Na edição digital, as matérias podem vir complementadas com textos adicionais, gráficos, fotografias que não podem ser inseridas nas edições em papel. O jornal eletrônico permite ainda a apresentação de som e imagens em movimento. Outra grande vantagem do jornal eletrônico, conforme salienta o professor baiano, é a manutenção de arquivo de edições passadas. Pode-se consultar qualquer informação em qualquer tempo. Jornais buscam equilíbrio entre meios de comunicação

 

Num primeiro momento, a erupção brutal da Internet encheu de terror os jornais do mundo inteiro. O jornal escrito não estaria agora sendo descartado e jogado fora pela rede mundial? Hoje, os jornais retomam seu sangue-frio e procuram antes um modus vivendi entre os dois meios de comunicação de massa: o de ontem e o de amanhã. O desenvolvimento da Internet é fulminante: existem 3.500 jornais eletrônicos.

 

No princípio, esses jornais eram exclusivos dos Estados Unidos. Mas está havendo uma evolução: há um ano, de todos os jornais eletrônicos, apenas 29% funcionavam fora dos Estados Unidos; hoje, essa proporção é de 43%. Outro número impressionante: em 1997, havia 46 milhões de usuários da Internet. Em fins de 1998, 80 milhões e, no ano 2000, 157 milhões. Em 2004, este número chegou a 460 milhões. Quais são as áreas em que a rede faz os maiores progressos? Em primeiro lugar, a das informações locais: isso explica por que os jornais regionais estão criando tantos sites.

 

Mas as notícias nacionais ou internacionais não estão mais ausentes. Num caso, pelo menos, observa-se que um grande jornal optou por colocar um informativo seu na rede, antes mesmo de imprimi-lo: foi o jornal Dallas Morning News, que lançou na Internet a notícia do atentado de Oklahoma antes de divulgá-la no noticiário impresso. Essa iniciativa foi recebida com desagrado pelos jornais escritos dos Estados Unidos, preocupados com a idéia de que a informação geral pudesse passar para o lado da Internet. Enfim, o lucro da Internet: as receitas publicitárias. Os Estados Unidos lideram neste ponto: em 1996, as receitas publicitárias atingiram US$ 300 milhões. A Europa vem bem depois. A própria Alemanha recebe apenas US$ 6 milhões. Hoje ultrapassam a casa dos US$ 12 bilhões.

 

Os jornais tradicionais deram a impressão de que já superou seu "grande temor" diante da rede. Todos eles acompanham o processo de informação on-line, mas pararam de aumentar seus investimentos no setor: em 1996, segundo a diretora de Editors and Publisher, Marsha Stoltman, "os investimentos dos jornais diminuíram, o número de pessoas que trabalham na edição eletrônica permaneceu estável; de modo geral, os gastos para o desenvolvimento on-line diminuíram", afirmou.



Escrito por Roberto Patriota às 18h06
[ ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]
 
Histórico
07/10/2007 a 13/10/2007
09/09/2007 a 15/09/2007
15/07/2007 a 21/07/2007
24/06/2007 a 30/06/2007
17/06/2007 a 23/06/2007
03/06/2007 a 09/06/2007
25/03/2007 a 31/03/2007
31/12/2006 a 06/01/2007
19/11/2006 a 25/11/2006
29/10/2006 a 04/11/2006
22/10/2006 a 28/10/2006
08/10/2006 a 14/10/2006
01/10/2006 a 07/10/2006
24/09/2006 a 30/09/2006
17/09/2006 a 23/09/2006
10/09/2006 a 16/09/2006
03/09/2006 a 09/09/2006
27/08/2006 a 02/09/2006
20/08/2006 a 26/08/2006
13/08/2006 a 19/08/2006
06/08/2006 a 12/08/2006
30/07/2006 a 05/08/2006




Votação
Dê uma nota para
meu blog



Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis
 FOLHA DO MATO GRANDE OM LINE
 NILSON PATRIOTA ON LINE