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O GOVERNO LULA, AS VAIAS E A CORRUPÇÃO SEM FIM

 

Não há como tapar o sol com a peneira: as vaias ao presidente Lula no Maracanã, na abertura dos jogos Pan-Americanos, respeitadas suas características peculiares, podem ser entendidas como uma ampla pesquisa de opinião, com a vantagem de ter sido pública, aberta, espontânea e à prova de manipulação.  Não vale festejar a manifestação porque ficou muito chato o presidente da República ter decidido não formalizar a abertura dos Jogos Pan-Americanos, como é da tradição, por conta do constrangimento que passou.

 

Mas acho que já é hora de alguém chamar a atenção do presidente Lula sobre os desígnios da história. São fartos os exemplos de quedas livres de mitos construídos em condições atípicas. Isso pode acontecer da noite para o dia, em função de erros pontuais que ganham repercussões inesperadas. Não considero que as vaias do Maracanã já estejam sinalizando para esse declínio irreversível. Mas será um ledo equívoco atribuí-la exclusivamente a uma tradição do povo carioca.

 

Não foi uma vaia: foi uma sucessão de vaias, algo que não pode ser atribuído a nenhum grupo organizado. E num momento de grande euforia, quando as 90 mil pessoas presentes ao Maracanã deliravam vitoriosas com o espetáculo de grande beleza.

 

A Presidência da República dispõe de pessoal especializado para trocar em miúdos essa manifestação popular, que se concentrou na figura de Lula. E ele não era a única autoridade presente, não era, portanto, a única figura vulnerável a esse tipo de sufoco. Mas foi o escolhido pela turba que, de uma forma ou de outra, demonstrou algum tipo de insatisfação.

 

Vaias são vaias, não mais do que vaias. Está bem. Não são um manifesto político, uma passeata determinada com uma agenda de descontentamento. Repito isso, porque a prudência da análise impõe.

 

Mas mesmo assim arrisco-me a associar essas vaias aos últimos escândalos políticos, que já passaram da mais tolerante das contas. Porque ostensivamente o presidente Lula tem se colocado numa postura infeliz, do pior lado.

 

É o caso desse triste e vergonhoso escândalo que pode levar o Senado da República ao mais deprimente descrédito. Um escândalo em série, no qual, como disse Helio Fernandes, em sua coluna, "o senador Renan Calheiros praticou tanta bobagem a partir das denúncias que surgiram contra ele uma montanha de provas, e que agora sua situação ficou insustentável".

 

Essas bobagens respingaram na imagem do presidente Luiz Inácio graças a ele mesmo. Em todos os momentos, desde que o presidente do Senado foi pilhado numa estranha associação a um lobista de uma grande construtora, Lula tem tornado pública e notória sua solidariedade a Renan.

 

Não seria essa a única razão das vaias do Maracanã. Mas de tanto assinar cheques em branco para seus parceiros, Lula vai diluindo sua blindagem, mesmo contando com os recursos mágicos do chefe de uma grande máquina de poder e com o dorso subserviente dos mal-acostumados beneficiários da caridade oficial. Associar corrupção ao Governo Lula não é mais preciso. Olhar para o presidente é visualizar todos os tipos e maneiras de corrupção imagináveis.



Escrito por Roberto Patriota às 09h53
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